quinta-feira, 2 de abril de 2015

Ministro Juca Ferreira defende o crescimento da “economia da cultura”

O Brasil tem um potencial grande para desenvolver nos próximos anos o aspecto econômico da Cultura, com a criação de bens, serviços e empregos na área. Ao mesmo tempo, os temas culturais deverão estar cada vez mais presentes nos currículos escolares, principalmente das crianças. Segundo o ministro Juca Ferreira, a "Economia da Cultura" e a Educação são duas missões centrais para o Ministério da Cultura na criação de um novo modelo de desenvolvimento do Brasil.  

Juca Ferreira: "A economia da cultura passa pela economia dos museus e do patrimônio, associados a um uso contemporâneo"...    "Temos que interferir no currículo, no conceito de escola. A cultura vai ter de entrar na sala de aula".  (Foto: Janine Moraes)


"A economia da cultura passa pela economia dos museus e do patrimônio, associados a um uso contemporâneo", disse o ministro. "Investimentos, por exemplo, revitalização do centro de São Luís (Maranhão), mas é necessário um projeto econômico. A gente precisa ter projetos que vão além da preservação e recuperação de um casarão e investir em um projeto aliado a essa preservação."
Juca Ferreira fez essa avaliação nesta quarta-feira (01/04), durante a segunda reunião do Núcleo Estratégico do ministério. Os encontros mensais têm o objetivo de coordenar as ações do Sistema MinC, que é formado pelo ministério e suas entidades vinculadas, como Agência Nacional do Cinema (Ancine), Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Fundação Palmares, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Fundação Nacional das Artes (Funarte), Fundação Biblioteca Nacional e Fundação Casa de Rui Barbosa.

O ministro explicou que uma das alternativas para enfrentar a atual crise econômica no mundo (e que resvala no Brasil) é fortalecer a economia da cultura, que tem alto valor agregado e é democratizante. Para ele, as políticas culturais, de todas as áreas, devem incluir três segmentos: o desenvolvimento da linguagem simbólica, a acessibilidade para toda a sociedade brasileira e a economia da cultura. Desde 2003, segundo Juca, o governo tem valorizado bastante as ações e os programas do Ministério da Cultura. "Nos momentos de crise, surgem estas oportunidades. O núcleo central do governo nos chamou para incluir em suas estratégias a economia da cultura. Há um clima muito favorável", disse.
Um caso de economia da cultura citado pelo ministro foi a música. Segundo ele, o Estado poderá desenvolver um papel de regulador e auxiliar na garantia dos direitos autorais de artistas no século 21. "Os artistas querem entrar na economia da internet, que o Google distribui e não paga um centavo de direito autoral. Eles só receberão os recursos do direito autoral caso haja uma regulação do Estado", conta.

Na sala de aula

A segunda missão apontada pelo ministro é potencializar e incluir a cultura no lema do governo "Pátria Educadora" e pensar na cultura para qualificar a educação, sobretudo na educação básica. "Temos que interferir no currículo, no conceito de escola. A cultura vai ter de entrar na sala de aula", afirmou Juca Ferreira, lembrando que o ministério já tem programas como o Mais Culturas nas Escolas. "Há enormes áreas de renovação com as quais podemos contribuir."

 Segundo o ministro, o governo federal poderia incluir, por exemplo, material audiovisual na lista de material didático do Ministério da Educação. As aquisições de livros são um dos principais mecanismos de estímulo ao mercado editorial no Brasil. Juca Ferreira lembrou que outros países fazem encomendas de filmes documentários que podem ser usados como material didático – o que também beneficiaria a produção audiovisual brasileira. 

O novo ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, já disse publicamente que a Cultura tem um papel central nas políticas públicas, sendo um dos três ministérios mais importantes. Na reunião do Núcleo Estratégico, Juca Ferreira contou que já conversou com Janine Ribeiro para aproximar as duas pastas e desenvolver projetos conjuntamente. 

(Fonte: Assessoria de Comunicação /Ministério da Cultura)

sábado, 21 de março de 2015

Viva o dia 21 de março!

Graças ao Movimento Negro e ao empenho  dos governos populares de Lula e Dilma de 2003 para cá o Brasil passou a investir mais em políticas de  combate a discriminação e promoção da igualdade racial. Logo, hoje  podemos  comemorar o Dia Internacional contra a Discriminação Racial!

Eu destaco como ponto principal a inclusão feita no setor da educação.  O novo perfil dos livros didáticos nas escolas e a ascensão de negros e negras no ensino superior fizeram a diferença.  A lei de cotas raciais deu certo e foi decisiva para  termos hoje muito mais negros  e negras nas universidades.


 



No campo trabalhista a Lei das Domésticas virou realidade e só falta passar pelo Senado para depois ser sancionada pela presidente Dilma Rousseff. Também avançamos  bastante com as recém aprovadas cotas para o serviço público.  Já as políticas públicas punitivas  para combater a discriminação e o racismo são necessárias e indispensáveis .

Vale  lembrar que é menos doído atuar pelo viés da cultura e da formação. É um outro tipo de luta. O Ministério da Cultura vem tentando consolidar uma política afirmativa através de seus editais. Pela Fundação Palmares já era comum, mas pela FUNARTE  a publicação de editais inclusivos é recente .  Infelizmente o Edital Bolsa Funarte de Fomento aos Artistas e Produtores Negros ainda causa certo desconforto para alguns setores da sociedade.  Mas seus resultados são excelentes e revelaram talentos que antes viviam no anonimato e à margem do mercado. Torço muito para que esse tipo de política ganhe mais força e espaço dentro das instituições culturais do país. É exatamente neste setor onde os negros e negras mostram a força de sua expressão artística e cultural.



O Brasil foi o último país do mundo a abolir a escravatura. Foi a partir da extinção  do tráfico de negros, em 1850, que a escravidão passou ser contestada pela sociedade com mais veemência, contudo,   somente   em 13 de maio de 1888 ela seria abolida.  Vamos conferir:

1850 - Aprovação da Lei Eusébio de Queirós, que previa a punição de traficantes de escravos. Fim da entrada de cativos no Brasil
1871 - É aprovada, no dia 28 de setembro, a Lei do Ventre Livre, que proibia a escravização dos negros nascidos em solo nacional. Esse foi o principal golpe sofrido pelo regime escravista até a Lei Áurea, pois, com a proibição do tráfico negreiro, seria natural que a população escrava do país desaparecesse após algumas décadas.
1880 - É fundada, em 07 de setembro, a “Sociedade Brasileira Contra a Escravidão”, instituição criada pelo político e diplomata Joaquim Nabuco que lutou contra o regime. Nessa época, periódicos como O Abolicionista, do próprio Nabuco, e Revista Ilustrada já circulavam, dando mostras da força das críticas ao modelo escravista.
1883 - Joaquim Nabuco publica O Abolicionismo, uma das mais importantes obras a favor do fim do regime escravista.
1887 - A Lei Saraiva-Cotegipe, mais conhecida como Lei dos Sexagenários, passou a determinar a libertação dos escravos com mais de 65 anos.
1888 - No dia 13 de maio, a princesa Isabel assina a Lei Áurea. O ato põe fim a um processo político há muito em curso e, sob vários aspectos, já inevitável.




Após a abolição as elites da América Latina, eram contra a aceitação social da população negra. Os que acreditavam no positivismo de Auguste Comte (filósofo francês) achavam que os africanos estavam muito longe de alcançar a modernidade e os abandonavam.

As elites latino americanas do século 19 se recusavam a aceitar o pluralismo cultural porque temiam dividir o poder com a população negra doméstica.  Além desse histórico trágico, o Brasil passou a  absorver milhares de  imigrantes  europeus. Uma grande parte deles tinha, por trás, responsáveis que pagavam seu transporte e moradia. De modo que, os negros foram sendo cada vez mais marginalizados, empobrecendo e sendo discriminados.


Por isso, no Brasil  por conta das recentes conquistas podemos e devemos comemorar sim o Dia Internacional contra a Discriminação Racial. A luta não pode parar e temos muitos desafios pela frente, mas as conquistas entre 2013 e 2015  não podem passar desapercebidas . Viva o dia 21 de março!  Parabéns ao Movimento Negro por sua incansável atuação.  (Álvaro Maciel).


         


SALINA

OS NEGROS GUERREIROS E AS MULHERES GUERREIRAS POR SI MESM@S

(por Geovane Barone)

Salina (a última vértebra), o novo espetáculo da Cia. Amok, é com certeza um dos melhores espetáculos desta temporada. Dirigido por Ana Teixeira e Sthephane Brodt, está em cartaz até 29 de março no Teatro SESC Copacabana. Rico em imagens, cores, sons, movimentos corporais aliado a força de excelentes atores e atrizes negr@s.Somos levados na arena do começo ao fim para um universo onde o esforço e a beleza são explorados ao extremo. Três horas de prazer sinestésico: a plateia é levada a um ritual, ficamos tão imersos que nem nos damos conta do tempo fora do palco.

     A personagem-título é obrigada a casar com um homem (que não queria) por determinação da família do noivo. Tudo em função da lei de casta e de títulos. Ela nega e diz querer casar com o irmão dele. Quer ter o direito de escolher e rompe com a tradição. Não sendo ouvida, jura ódio eterno ao marido. E passa a ser violentada pelo mesmo. Até nascer um filho que ela detesta tanto como o pai: Mamuyê Djimba. Ferido numa guerra sangrenta, o marido pede ajuda a Salina que nega. Ela é banida da cidade pela lei do reino e passa a viver no deserto. Sozinha  tem outro filho pelo ódio e prepara formas de se vingar, enquanto o seu amado guerreiro - irmão do seu ex-marido - Kano Djimba reina.
      No segundo ato, um momento de destaque é quando a esposa de Djimba, Aike encontra com Salina -  já velha e desprezada - e oferece um de seus filhos para ela cuidar como pedido de perdão pelo seu longo sofrimento. Momento que Aike faz o papel do espectador que tem compaixão pela protagonista. Momento catártico e dialético. O filho parece ser o símbolo do poder do perdão e do amor como caminho, mesmo quando estamos imersos no ódio.


      O elenco composto por  Luciana Lopes, Sergio Ricardo Loureiro, Tatiana Tibúrcio, André Lemos, Thiago Catarino, Ariane Hime, Graciana Valladares, Reinaldo Júnior, Sol Miranda, Robson Freire. Na  sonoplastia ao vivo o magestral músico e ator Fábio Soares, - onde os cânticos em yorubá e  o toque forte do atabaque desenham e dão mais expressividade a toda cena. Atuações fortes, corpos que falam, vozes que revelam emoções, coletividade à serviço de Dionísio e Salina. Vemos em cena a linguagem teatral em potencialidade. Um teatro sonhado por Artaud, Grotowski e Brecht. Um teatro onde o palco fala com toda a sua semiologia. Cada movimento, cada gesto, cada fala ganha uma tensão poética. Cada ação é metricamente modelada. O figurino do casal de diretores é desenhado com roupas de bastante brilho e cor.- bem ao estilo dos clãs luxuosos de negros guerreiros, ricos e poderosos e com a benção dos orixás. A luz de Renato Machado é precisa, básica e deixa visível as cores presentes no palco e nas atuações sem maneirismos. Um trabalho excelente da Cia Amok.

       A peça, escrita pelo autor francês Laurent Gaudé ,reconhecido por explorar em suas obras os limites morais do ser humano, é um convite a reflexão sobre o ódio e o amor, a vingança e o perdão. Além de tratar da submissão feminina e a luta pela emancipação da mulher numa sociedade fechada pela tradição e pela lei de castas. O espectador acompanha no círculo, nada roda, imers@ na celebração. Onde conflitos pessoais passam a ser conflitos públicos. Onde o teatro volta a ser a ágora grega e deixa de ser apenas extensão do quarto.


         Por isso, precisamos mais de espetáculos assim. É um grito, um desabafo de que o teatro é feito para comunidade e pela comunidade. Que a história da Salina é também a história de tantas mulheres escravizadas, violentadas que vemos nos jornais e de que é bom termos atores negros em papéis complexos e não subjugados. Como dizia a música "Branco se você soubesse o valor que o negro tem..."

sábado, 7 de março de 2015

                   O Teatro de Bonecos Popular do Nordeste  é Patrimônio Cultural do Brasil


O Teatro de Bonecos Popular do Nordeste não é apenas  um brinquedo, é o elemento central de uma manifestação popular que reúne  produção cultural e um misto de linguagens artísticas que vai do teatro às artes visuais, com  temáticas religiosa e profana.

Seu reconhecimento, ocorrido nesta quinta feira, 05/03, é fundamental à sustentabilidade da identidade e da memória popular do Nordeste. Interage diretamente com as comunidades e  mantém viva as figuras dos “Mestres” e dos “brincantes”.  Merecidamente, foi inscrito no Livro de Formas de Expressão do Patrimônio Cultural Brasileiro e agora é  Patrimônio Cultural do Brasil. Parabéns aos 22 Conselheiros que votaram a favor da aprovação,  ao relator Luiz Viana Queiroz e à ABTB -  Associação Brasileira de Teatro de Boneco que solicitou a inscrição.







                   


                                           


   

sexta-feira, 6 de março de 2015

 Sobre a Aprovação dos Mamulengos como Patrimônio Cultural do Brasil.

“O Teatro de Bonecos Popular do Nordeste foi aprovado, com unanimidade, nesta quinta-feira (5/3), como Patrimônio Cultural do Brasil e inscrito no Livro de Formas de Expressão do Patrimônio Cultural Brasileiro. A decisão foi anunciada na 78ª reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, que ocorreu na Sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em Brasília. O pedido de inclusão foi solicitado pela Associação Brasileira de Teatro de Bonecos (ABTB), o que afirma a tendência de uma apropriação da sociedade sobre suas manifestações. Os 22 conselheiros foram favoráveis ao parecer lido pelo relator conselheiro Luiz Viana Queiroz. Com a aprovação do registro, o Teatro de Bonecos passa a ter proteção institucional, ou seja, mais uma garantia de salvaguarda desse bem cultural que já se mantém vivo com a força de seus praticantes.”




Fonte: site do Ministério da Cultura - Assessoria de  Comunicação