segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Alguns desafios atuais da Cultura Urbana

 por Adair Rocha

O aprofundamento democrático e cidadão clama por política pública, que só o é, na vitalidade potencial da sociedade. Neste sentido, as políticas governamentais estão especialmente desafiadas, pela singularidade das demandas das políticas de Segurança, e a consequente exigência de se consolidar com política pública eficaz.

Por isso, a questão cultural e de natureza política mais atual, no Rio, responde pela pergunta: é possível uma nova cultura de segurança? Senão vejamos: a nova significação para os moradores da cidade-capital tem o nome de UPP (Unidade de Polícia Pacificadora). Com início no Santa Marta há quase três anos, passa por favelas menores da zona sul do Rio, inicialmente, ampliando-se para conjuntos de favelas do Catumbi, da Tijuca, até chegar ultimamente a favelas significadoras para a definição do espaço urbano do Rio, de forma identitária, como a Mangueira e as vizinhas Rocinha e Vidigal.

A unanimidade da aprovação por parte de todos os moradores (do asfalto e da favela) em torno dos pressupostos da entrada da UPP: retomada do território e o desarmamento do tráfico, abre espaços, no entanto, para o debate sobre a natureza da coisa pública, bem como o entendimento das esferas do poder e do seu alcance.

Assim, quando se chega à Rocinha, por exemplo, mídias, governo e mercado tendem a tratar a história daqueles mais de cem mil moradores na lógica da "terra arrasada", ou, no máximo, dos herdeiros ou reféns do "Nem" ou dos gestores paralelos.

Estupefatos, alguns moradores de favelas "pacificadas" da zona sul do Rio, que fazem um curso de Cinema de um ano e meio de duração, em parceria com o Núcleo de Comunicação Comunitária da PUC-Rio, comentavam sobre uma fotografia que apareceu na imprensa, escarnecendo a história dos moradores, na medida em que mostrava um jipão do Exército, à moda turística, transportando a diretora do Teatro Municipal, a atriz Carla Camurati, acompanhada de uma vistosa senhora, com ares de antropóloga, creditada pelo jornal, como sendo a esposa do Secretário de Segurança. Vistoriavam a favela para encontrar a melhor locação pra uma apresentação do Balé e da Orquestra do Municipal. E para que não se reduza os papéis e as competências, as pessoas citadas são absolutamente reconhecidas no exercício de suas funções. O Secretário citado é uma das autoridades do poder público e governamental mais reconhecida, hoje, pelo corajoso e não menos competente desempenho da tarefa governamental espinhosa e desafiadora da Segurança.

No entanto, a construção da política pública implica, necessariamente, no protagonismo da sociedade, que vai dialogar com gestores públicos governamentais, com papéis bem definidos (e neste caso, ser esposa, não é suficiente), para o acesso, em igualdade de condições, com todos os moradores da cidade, aos bens públicos a que têm direito, respeitando-se a história e as diferenças de cada processo.

Pode-se dizer que atrás dessa boa intenção de levar "civilização" para a favela que se "livra", não totalmente do chamado "poder paralelo", - aquele que está na polícia, com seu lado miliciano - mas sim do "poder econômico", cujos gerentes e comerciantes estão com "liberdade vigiada", quando tem que cessar seu poder de armas de fogo, na medida da retomada, pelo Estado-governo, do controle do território urbano do não-lugar da cidade que é a favela. A cultura precisa superar a lógica das duas cidades e construir sua integração e cerzimento. Pois, enquanto houver a demanda do consumo que a cidade realiza, ainda que proibido, a favela ainda continuará sendo o território da desova superfaturada da venda de drogas.

Antes de qualquer ação, pós-retomada, a pergunta central do poder público tem que estar voltada para a história de organização, de criação e resistência de tantas décadas pelos moradores, identificados pela diversidade, que dão vida pra Rocinha e selo pro Rio, com seus "varais de lembranças", livros infantis, pontos de cultura, folias de reis, Oliveiras, Marias Helenas, os Martins e os Firminos e tantas outras lideranças construídas, nas ASPAS, nas Associações de Moradores, nas Quadras do samba, do funk e da comunicação comunitária. Há o Fórum de Cultura e de Empreendimento e tantas empresas públicas e mistas que fizeram a Rocinha acontecer até hoje. Há ainda a iniciativa, com raízes, para se criar o Museu da Rocinha, para o desengarrafamento do transporte de memórias, quando a relação de troca de saberes e de sabores, se livrará de gestores culturais de atos simbólicos e midiáticos que queiram levar a cidade dita civilizada para a favela.

A política pública de cultura já deu passos muito significativos nos dois mandatos do governo Lula, quando partiu do pressuposto de que quem faz cultura, que é fruto da criação da memória e do conhecimento, é a população, na sua significação, e não o Estado, ou o governo, cujo papel é o de prover e de gerir a possibilidade da existência e da circulação daquilo que a sociedade cria e faz. Por isso sua participação e protagonismo na elaboração das políticas públicas são decisivos. Assim nascem os Pontos de Cultura (Cultura Viva) e a vitalidade e potência em rede ou teia, de mais de quatro mil pontos pelo país, com um passo adiante, que transforma em política pública e governamental, concepções de práticas que revolucionaram a forma de fazer política social e partidária, como as "Comissões de Fábrica", as "Comunidades Eclesiais de Base", os "Núcleos Partidários" (de base), Associações de Moradores, de Etnias, de Gênero, etc.

É a pressão e a participação dos que fazem cultura que apontam para a necessidade de regulação e de projeção da gestão territorial, que vai pra além do edital, já uma forma democrática de acesso, mas ainda insuficiente. Assim, na construção de Conferências municipais, estaduais e nacional, Sistema e Plano Nacional são geridos e apontam para mudanças em leis de regulações ultrapassadas e ou elitistas, como por exemplo, a Lei Rouanet e a nova Lei dos Direitos Autorais (esta última, com 85% do seu texto, segundo a mídia, aproveitado pela gestão atual). Da mesma forma, o Vale Cultura e outras políticas governamentais que vão criar o escoamento e o direcionamento das verbas públicas, nos canais municipais, estaduais e da União, para os protagonistas reais: a sociedade.

Diante desta avalanche de possibilidades, como potencializar as tradições, as instalações contemporâneas e o clamor jovem da imensa população empobrecida, com maioria negra, na cidade do Rio de Janeiro. Assim, podemos falar de transversalidade da cultura com a educação, com os direitos humanos, com a segurança e com a significação de todo o tecido público urbano.

Se me permitem citar dois exemplos, dos quais participo no momento, e que dão o tom do envolvimento de diferentes instituições na consolidação de uma política pública que acene cada vez mais na direção da universalização, que permita pensar a cidade-capital do Rio, na sua diversidade, independentemente das atividades internacionais em curso, e, ao mesmo tempo podendo considerá-las.
O primeiro desses exemplos é uma pesquisa com moradores da primeira favela "pacificada", o Santa Marta, com estudantes de comunicação social e com dirigentes das UPP’s, para entender seu significado para a cidade, a partir da favela em que está instalada, para desenvolver o entendimento da seguinte questão: é possível uma outra cultura de Segurança? Este estudo é parte do eixo Cultura, Cidade e Cidadania que está sendo desenvolvido para a conclusão do pós-doutoramento em Comunicação Social, na ECO-UFRJ, sob a orientação do Professor Emérito Márcio Tavares D'Amaral.

Um segundo exemplo é o projeto que está sendo desenvolvido pelo Núcleo de Comunicação Comunitária da PUC-Rio com moradores de algumas favelas "pacificadas" como o Santa Marta, Cantagalo e Pavão-Pavãozinho, Chapéu Mangueira e Babilônia.   Os moradores que fariam o curso juntamente com o Núcleo produziram a grade de um Curso de Cinema com duração de um ano e meio, reconhecido como Extensão da PUC-Rio, com acesso aos professores, aos equipamentos e ainda com aulas práticas e produções audiovisuais nas favelas envolvidas. Com práticas como os Cineclubes e outras experiências do Cinema e do Audiovisual, pretende-se o estabelecimento de políticas públicas, isto é, aquelas que as necessidades da territorialidade urbana apontam como prioridades e, portanto, com parceria na sua criação e gestão, e não apenas políticas governamentais que, com as melhores intenções, vêm de fora, e chegam de teleféricos midiáticos.

Todo território urbano, revolucionado por sua criação e pela capacidade de perpetuação das diferentes linguagens desenvolvidas na história da humanidade: na sua expressão cênica, musical, plástica, ritual, audiovisual, dentre outras, é protagonista, tanto na elaboração das políticas públicas de cultura locais, como no acesso dos equipamentos que facilitarão a criação e a distribuição, bem como a troca das grandes potencialidades que são a diversidade, a generosidade e o 'calor' que o Rio reserva e conserva com grandezas urbana, natural e humana.


quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Participação do Secretário Álvaro Maciel no debate sobre a Elaboração Final do Plano Municipal de Cultura de Nova Iguaçu

Caros Companheiros,
                                 A participação do Secretário Álvaro Maciel no dia 20/01 no debate inaugural sobre a Elaboração Final do Plano Municipal de Cultura da cidade de Nova Iguaçu, foi recebida com extremo agrado e carinho. Nós petista locais representados pelo nosso Secretário Municipal de Cultura Anderson Àvila e eu, nos sentimos gratificados, não só pela presença como pela bela e importante fala feita por nosso Secretário da instância partidária.
                                  Tendo em conta que no decorrer desses sete meses que fazem esta gestão, que poderiamos brincar de "sangue puro", vem redesenhando o sentido republicano e democratico da gestão, com transparência, diálogo, participação, e, principalmente com resultados estruturantes que ficarão mesmo depois de nossa passagem, como gostar de ressaltar o nosso Secretário e companheiro Anderson Ávila.
                                   Contando , ainda, neste mesmo dia com as brilhantes intervenções dos companheiros  Fabio Lima, representando Minc e Flávio Aniceto corroboraram para afirmação e constatação, que esta geração fundadora da SeCultPT no Estado do Rio de Janeiro, vem ao longo dos anos se preparando e aperfeiçoando para assumir o seu papel de direção na construção de uma politica para o setor da Cultura em todo o país.
                                   Saber que contamos com apoio e carinho de todos da SeCultPT/RJ, nos faz caminhar com firmeza para construção de um Brasil melhor.
Saudações Petissta com 94% de aprovação pelo Data, quem viveu viu!!

Lino Rocca - Subsecretário de Cultura

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

II Encontro de Gestores e Pontos de Cultura

II Encontro de Gestores e Pontos de Cultura da Região Serrana no Hotel Village em Papucaia - Cachoeiras de Macacu, começa com todo vapor . Temas importantes em discussão no cenário regional e nacional da cultura foram levantados, como: Cultura Digital: Informação e integração em redes sociais, abrdados por: Dilma Ferreira do Nascimento( Historiadora Social da Cultura) e Adriano Belisário ( SEC -RJ) e ainda Patrimônio Cultural: restauração, conservação, conscientização social e preservação temas abordados  por Luciene Figueiredo ( Superintendência de museus da SEC- RJ), Sérgio Linhares(INEPAC) e Cascia Frade(Decult SR3 UERJ) . 

Tiveram ainda grupos de trabalho dos Fóruns de Gestores e dos Pontos de Cultura da Região Serrana dando continuidade aos trabalhos iniciados no primeiro Encontro realizado em São Pedro da Serra. Foi muita aula para um dia só!!!!! Maravilhoso!!!Amanhã o encontro continua com palestras debates e atividades nos Pontos de Cultura Se Liga na Praça e Seiva. Viva a Cultura e Viva  Cachoeiras de Macacu!!!!!!

Em seu segundo dia de atividades a presença ilustre da Professora Dra. Geni Amelia Nader ( Universidade Santa Dorothéia) com a oficina: “Reinventando a vida” e culminância com a visita ao Ponto de Cultura Se Liga na Praça  onde aconteceram diversas atividades: Exposição de Artes do desenhista Jr.Oliveira que encantou os expectadores com sua precisão, apresentação de música dos alunos do professor de violão, Wood: Pedro Bernardo e Leonan Nascimento que emocionaram o público com o repertório clássico, incluindo Brasileirinho e Tico-Tico no Fubá. Apresentação do Grupo de Dança Infantil do Espaço Livre que trás com amor, muita alegria, singeleza e respeito o trabalho de pesquisa do corpo e da cultura afro-brasileira liderado pela professora de dança Michelle Lima. O evento contou ainda  com a inauguração oficial da Sala de Cinema e Exposições do Ponto de Cultura Se Liga na Praça, onde os Secretários e Pontos presentes puderam assistir ao vídeo institucional da LAC – Legião dos Amigos de Cachoeiras, do Se Liga na Praça, e ainda o documentário  “Vidas pela Arte produzido” pelo Diretor de Cinema Rafael Porto.

O grupo CIRANDARIA previsto para encerrar o evento não pode contar com a presença dos secretários e dos Ponto de Cultura das cidades vizinhas em função da hora para o retorno aos lares, o que não impediu que acontecece uma linda roda de ciranda celebrando toda aquela atmosfera de arte, cultura, amor, parcerias e solidariedade, contruidas por nós, equipe Se Liga, por cada Secretário de Cultura e Ponto de Cultura presente e pela COMCULTURA que proporcionou este encontro.

Maísa Bernabé: Diretora do Centro de Arte e Cultura Espaço Livre e Produtora Executiva do Ponto deCultura Se Liga na Praça agradece a toda a equipe que tornou este momento possível e mágico: Sônia Bernabé, Michelle Lima, Rafael Porto, Rádima Carvalho, Luiz Rogick, Renato Bernabé, José Álvaro, Wood, Pedro Bernardo, alunos e pais pela confiança e aos artistas Léo  Ramos, Túlio Ramos e a Comcultura

Tudo o que um sonho precisa é de alguém que acredite que ele possa ser realizado.

Valeu galera cultural !!!

Maísa Bernabé.

Moção de Apoio aos integrantes da Cia de Ballet de Niterói


Vimos através desta, expressar o nosso apoio à luta dos bailarinos e bailarinas, integrantes da Cia de Ballet de Niterói, que vem sofrendo represálias desde que os servidores da companhia realizaram ato de protesto, em meados de novembro/2011  para reivindicar melhores condições de trabalho e salariais.
Foi comunicado ao MP-RJ que a companhia realiza seus ensaios num galpão alugado no centro de Niterói, em condições inadequadas. Há um outro comunicado ao MP-RJ que, segundo legislação em vigor, a Companhia é tombada imaterialmente pelo município - fato político relevante na luta dos bailarinos.
A Secretaria Estadual de Cultura do PT/RJ classifica como arbitrário o ato de exoneração dos diretores da Companhia, efetuado pelo presidente da Fundação de Arte de Niterói, a pedido do Prefeito da Cidade, dois dias após a manifestação.  Repudiamos também a forma como foram tratados os bailarinos concursados, avisados por telefone, de que seriam colocados em férias coletivas.  Atitudes essas incompatíveis com os  avanços conquistados  nos últimos anos, pela República Federativa do Brasil, em busca da consolidação do estado democrático brasileiro.
Sem mais para o momento, colocamo-nos ao inteiro dispor para acompanhar e apoiar a luta dos artistas profissionais da Cidade de Niterói.
Niterói, dezembro de 2011.
Coletivo Estadual de Cultura do PT/RJ

Secretário de Cultura da cidade do Rio promete honrar acordo de cooperação com MinC para a implantação do Sistema Municipal de Cultura



O Presidente da Frente Parlamentar pela Democratização da Comunicação e da Cultura, Vereador Reimont, juntamente com membros do Conselho Provisório de Cultura do Rio de Janeiro, SeCult PT/RJ, PCult, Mandatos de outros partidos e representantes dos movimentos populares, reuniram nesta segunda-feira 05/12/2011,  com o Secretário Emílio Kalil.

Nessa reunião foi acertado que será concluído o Plano de Trabalho da Secretaria para honrar o Acordo de Cooperação firmado com o Ministério da Cultura para a implantação do Sistema Municipal de Cultura.

A importância estratégica da formalização do Conselho Municipal de Cultura, como parte do CPF da Cultura por diversas vezes foi defendida nas reuniões da Frente.

Como será feito: o Secretário Kalil prometeu publicar uma Resolução que designa  representantes da sociedade civil no Conselho Municipal de Cultura.  

Foi marcada   uma reunião do Conselho Municipal de Cultura Provisório, que será na primeira quinzena de janeiro de 2012; que convocará eleição para a nova gestão do Conselho. 

Estas são conquistas valiosas para a nossa Cidade, há muito reivindicadas. Queremos destacar o trabalho  Frente Parlamentar pela Democratização da Comunicação e da Cultura, que realizou uma verdadeira vigília para chegarmos até aqui. A tática da Frente foi priorizar a Cultura para além de interesses partidários.Dessa forma, o PCult e os movimentos populares tiveram espaços garantidos e participação relevante. O exemplo da Capital  poderá servir de motivação para outros municípios do RJ que lutam pela implantação de seus Sistemas Municipais de Cultura.  

Nosso grito de guerra cada vez ganha mais fôlego: Somos Todos Pela Cultura! 

Parabéns à  Frente Parlamentar pela Democratização da Comunicação e da Cultura 

Convidamos a todos e todas para confraternização da Cultura, dia 13/12/2011 20h - Rua do Mercado esq. rua do Rosário, Centro/Rio

Álvaro Maciel - Secretário Estadual de Cultura do PT/RJ