sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Eu quero e o Brasil precisa, vote contra!

Em 2010, o Ministério da Educação e a Presidência da Republica, enviaram ao Congresso Nacional o Projeto de Lei que instituía o Plano Nacional de Educação para os próximos dez anos (2011-2020). Contudo, durante anos tramitou pelo Congresso e somente entrou em vigor desde sua sanção e publicação em junho de 2014, através da Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014.

O Plano prevê, na verdade, define diretrizes, metas e estratégias para a educação brasileira orientando as três esferas de governo - municipal, estadual e a união.

No Plano Nacional de Educação fala-se muito pouco sobre gênero. No entanto, no artigo 2º item terceiro, voltado para as superações das desigualdades educacionais, estava contida uma das principais polêmicas geradas. A tão falada “ideologia de gênero”, que afirma que homens e mulheres não diferem pelo sexo, ou seja, não possuem base biológica, sendo apenas uma construção social imposta pela família, pela educação e pela sociedade.  A ideologia de gênero pressupõe livre escolha. Nesta perspectiva não cabe ao conjunto da sociedade e nem as instituições impor a sexualidade de nenhum cidadão e/ou cidadã.

Esta visão de mundo pressionada pelas bancadas religiosas, foi derrotada pelo Congresso Nacional, apesar dos partidos de esquerda – PT, PCdoB e PSOL - terem tentado aprovação, cabia, portanto, à Presidência da República vetar. Prerrogativa que à época não utilizou.

Pois bem, passado isto, os estados e municípios tiverem prazos para aprovação pelas casas legislativas dos respectivos planos. E novamente articulada pelas bancadas religiosas derrotaram país adentro a “ideologia de gênero”.
Diante disso, pode-se concluir que ao ignorar a igualdade de gênero, ignora-se também a subrepresentação política das mulheres, as desigualdades no mercado de trabalho, a violência contra as mulheres, a objetificação sexual na mídia, enfim...

A igualdade de gênero deve ser entendida, como um valor democrático e tão legitimo como a liberdade e a tolerância religiosa. Até hoje não percebemos pelos grupos que defendem a igualdade de gênero, sobretudo o movimento feminista, qualquer ataque às religiões, pelo contrário, essas defendem o Estado laico.

A Escola deve estar preparada para combater as discriminações de gênero, a Escola deve ser um espaço de promoção da equidade de gênero e além de ser o espaço apropriado para dar formação básica sobre sexualidade.

Em 2016, mal começamos o ano e já estamos nos deparando com outro anacronismo - se já não bastava o rebaixamento da Secretaria de Políticas para as Mulheres no ano passado imposta pela crise econômica e executada pelo Governo Federal - novamente a luta pela igualdade de gênero foi atacada no Congresso Nacional e mais uma vez articulada pela bancada religiosa e caberá igualmente à Presidência da República o veto.

Na Reforma Ministerial enviada pela Presidência da Republica, por Medida provisória nº 696/2015 no que compete ao Ministério das Mulheres, Igualdade Racial, Juventude e dos Direitos Humanos, através de emenda do PRB, foi retirada do texto a expressão “a incorporação da perspectiva de gênero”, ou seja, retira a possibilidade do Ministério ao elaborar suas políticas para as mulheres incluírem as Transexuais. Pra nós, retira, desta parcela da população que paga impostos a condição de sujeito de direitos.

Segundo o que foi noticiado, para a bancada evangélica, a manutenção da expressão significaria a destruição da instituição familiar e a aceitação da existência de um terceiro sexo.

Esta premissa é tão absurda que beira a ignorância.

Recrudescimentos como estes abrem brechas para mais retrocessos. Não à toa, a Câmara de Vereadores de Nova Iguaçu, aprovou e o Prefeito Nelson Bornier do PMDB/RJ sancionou Lei que veda a distribuição, exposição e divulgação de material didático contendo orientação sobre a diversidade sexual, nas escolas públicas do município. E em seu parágrafo único completa dizendo que o material a qual o caput se refere é os que contenham orientação de combate à homofobia, ou seja, uma lei que incita a violência.

E, ainda em Janeiro deste ano, em São Bernardo do Campo, o Prefeito Luiz Marinho do PT/SP - também pressionado pela bancada religiosa da cidade - cedeu e anunciou que vai elaborar projeto de lei específico para vetar o ensino de diversidade sexual nas escolas. Ainda que o Partido dos Trabalhadores tenha posição clara – favorável - sobre o tema.

É notório que desde 2015 a população Negra, LGBT e as Mulheres na sua intersetorialidade vêm sendo agredida e sofrendo perdas cotidianamente. A crise política e econômica que estamos atravessando tem contribuído para que estas questões se apresentem como menos importantes. Contudo, não há democracia possível sem que todas as representações existentes na sociedade estejam incluídas ou reconhecidas como sujeitos de direito.

As transexuais não podem ser vitimas de Deus! O Estado precisa ser laico e, sobretudo, precisa garantir o pacto social e, portanto, o estado democrático de direito.

Hoje e mais uma vez vimos pedir aos Senadores e Senadoras do Partido dos Trabalhadores que respeitem a militância e suas formulações e acúmulos nesta pauta e votem contra as emendas propostas pelo PRB na MP696/2015. As mulheres e a população LGBT reconhecidamente constroem este Partido que sempre teve e, ainda tem, a superação de todas as formas de desigualdades e preconceito como bandeiras intransponíveis. Essa, portanto, é uma pauta e uma luta do PT. E dela não podemos fugir. Na Câmara dos Deputados, o PT votou contra. Esperamos a mesma decência dos nossos representantes no Senado.

A luta continua, sempre e delas não podemos fugir!

Fabiana Santos, ex-membro do coletivo nacional de mulheres do PT e ex-superintendente de políticas intersetoriais para as mulheres do Governo do Estado do Rio de Janeiro.
Adriana Mota – ex- superintendente de estado de políticas de enfrentamento a violência contra as mulheres e ex-subsecretaria de Políticas para as Mulheres do Governo do Estado do Rio de Janeiro e militante do setorial de saúde do PT/RJ
Ana Lipke – médica cardiologista e ex-vereadora do PT-Rio
Angela Fontes – EX - Secretaria Adjunta da Secretaria de Articulação Institucional e Ações Temáticas da SPM-PR e militante da 1ª Zonal DM-Rio
Angélica Jesus dos Santos – Secretaria de Mulheres do PT de São João de Meriti
Bianca Lessa – Mandato do Deputado Estadual Carlos Minc e militante do PT
Carla Wendling – Sindicato dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro
Claudia Le Cocq – Presidenta da 1ª Zonal do DM-Rio e membro do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher/RJ
Cristina Dorigo – Membro do Coletivo Nacional do PT e membro do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher/RJ
Eliane Cacique – Subsecretaria Municipal de Industria Naval de Maricá e Comissão Executiva Estadual do PT/RJ
Elizabeth Frota – Forum Feminista do Rio de Janeiro
Elizabeth Rodrigues – Secretaria de Mulheres da 1ª Zonal do DM-Rio
Inês Pandeló – ex- Deputada Estadual/Rio de Janeiro
Leila Regina – Secretaria de Mulheres do PT de São João de Meriti e Ex-Secretaria de Direitos Humanos e Igualdade Racial da Prefeitura de São João de Meriti
Lucivania Soares – Secretaria de Mulheres de São João de Meriti e Mandato do Deputado Estadual Waldeck Carneiro
Marcilene Souto – Coordenadora de Políticas para as Mulheres da Prefeitura de Niterói e membro da Comissão executiva Estadual do PT/RJ
Mara Santos – Ex-Superintendente de Política para as Mulheres de São João de Meriti e Ex- Superintendente de Políticas paras Mulheres do Governo do Estado do Rio de Janeiro

segunda-feira, 23 de novembro de 2015


Em homenagem póstuma, Luiz Gama recebeu da OAB título de "advogado"

Patrono da cadeira nº 15 da Academia Paulista de Letras, poeta, advogado, jornalista e um dos mais combativos abolicionistas de nossa história, depois de 133 anos de sua morte, Luiz Gama recebeu na terça feira , 03/11, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seu título de advogado. A homenagem aconteceu na Universidade Presbiteriana Mackenzie em São Paulo, na qual neste mês de novembro, que se celebra a Consciência Negra, promove uma série de debates em homenagem a Luiz Gama.



Negro liberto, nascido em 1830, que se tornou libertador de negros, Luiz Gonzaga Pinto da Gama ficou conhecido como um rábula que conseguiu alforriar, pela via judicial, mais de 500 escravos. O rábula exercia a advocacia sem ser advogado. Filho da africana livre Luiza Mahin, uma das principais figuras da Revolta dos Malês, com um fidalgo branco de origem portuguesa, de uma rica família baiana, mas amante da boa vida e dos jogos de azar.

Depois que sua mãe foi exilada por motivos políticos, Luís, com apenas 10 anos, foi vendido como escravo pelo próprio pai, sendo levado para o Rio de Janeiro e depois para São Paulo.   Alforriado sete anos mais tarde, estudou direito como autodidata e passou a exercer a função, defendendo escravos.


Ele bem que tentou cursar direito no largo São Francisco. Mas a aristocracia cafeeira da época não permitiu, porque ele era negro, atesta Câmara. Mesmo assim, era assíduo frequentador da biblioteca de lá. O  jurista Miguel Reale Júnior, ex-ministro da Justiça, afirma que Gama foi o negro mais importante do século 19.


Faleceu em 24 de agosto de 1882, seis anos antes de a Lei Áurea ser promulgada. Dez por cento da população paulistana, de acordo com estimativas da época, compareceu ao seu enterro - São Paulo contava então com 40 mil habitantes.


A multidão começou a chegar ao Cemitério da Consolação, onde ocorreu o sepultamento, ao meio-dia - o enterro estava marcado para as 16h. Não houve transporte oficial para o cortejo fúnebre. Do bairro do Brás, onde ele morava, o caixão veio passando de mão em mão até chegar à sepultura, num gesto coletivo.  ( fonte: sites da CUT e da UOL Educação, e matéria do jornal O Estado de São Paulo).


quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Dia do Ator/Atriz

Homenageamos  neste dia nossos atores e atrizes, Lino Roca, Gizele Perim, Ana Lúcia Pardo, Claudia Byspo, Geovane Barone, Henrique Palmiery, Adriano Evangelista, Leandro Santana, Mauro Lima, Reinaldo Santana, Felipe Barbosa, Silvia de Mendonça, dentre outros, que fazem parte deste grupo de  luta pela cultura .

São muitos os nomes consagrados no Teatro Brasileiro, como  Antônio Pitanga,  Ruth de Souza, Lázaro Ramos, Glória Menezes,  Milton Gonçalves, Isaura Bruno, Iléa Ferraz, Aduni Benton, Taís Araújo, Chica Xavier,  Camila Pitanga, Neuza Borges, Jacira Silva, Zezé Motta, Cléa Simões, Lea Garcia, Negra Li, Isabel Filards, Lucy Ramos, Sheron Menezes... e muitos nomes mais, responsáveis por tantas emoções e alegria.

Mas a magia do teatro independe da fama, ela é feita de amor, dedicação e muita técnica para decorar textos de diversos temas e  interpretar diferentes personagens.    

Parabéns aos atores e atrizes do Brasil pelo dia de hoje.









 






                                                                                                            

terça-feira, 7 de julho de 2015



Em Defesa do Governo Dilma 



Declaro o meu orgulho e respeito ao Governo de Dilma Roussef. Reproduzo aqui um pequeno  trecho do seu discurso na Assembleia da ONU , em 24/09/2014. O termo multilateralismo e o sucesso da política de inclusão social assustaram os líderes do Capitalismo Internacional que  temem a perda da hegemonia no campo econômico. Vale à pena reler o que defendeu a presidente Dilma:

“...A grande transformação em que estamos empenhados produziu uma economia moderna e uma sociedade mais igualitária. Exigiu, ao mesmo tempo, forte participação popular, respeito aos Direitos Humanos e uma visão sustentável de nosso desenvolvimento.

Exigiu, finalmente, uma ação na cena global marcada pelo multilateralismo, pelo respeito ao Direito Internacional, pela busca da paz e pela prática da solidariedade.

Senhor Presidente, há poucos dias, a FAO informou que o Brasil saiu do mapa da fome. Essa mudança foi resultado de uma política econômica que criou 21 milhões de empregos, valorizou o salário básico, aumentando em 71%  seu poder de compra nos últimos 12 anos. Com isso,  reduzimos a desigualdade.

Trinta e seis milhões de brasileiros deixaram a miséria desde 2003; 22 milhões somente no meu governo. Para esse resultado contribuíram também políticas sociais e de transferência de renda reunidas no Plano Brasil Sem Miséria.

Na área da saúde, logramos atingir a meta de redução da mortalidade infantil, antes do prazo estabelecido pelas Metas do Milênio.


Universalizamos o acesso ao ensino fundamental.  Perseguimos o mesmo objetivo no ensino médio. Estamos empenhados em aumentar sua qualidade, melhorando os currículos e valorizando o professor. O ensino técnico avançou com a criação de centenas de novas escolas e a formação e qualificação técnico-profissional de 8 milhões de jovens, nos últimos 4 anos...”

quinta-feira, 2 de julho de 2015




O Golpe do Dia Seguinte
(por Álvaro Maciel)

No dia 30/06 tivemos nítida demonstração do grau de conservadorismo que tomou a Câmara Federal do Brasil sob o comando do determinado e faminto Eduardo Cunha. A despolitização do discurso da direita é algo horripilante. Seus parlamentares são despreparados e usaram de tudo, chantagem emocional, facismo, mentiras, racismo, desvio de conduta, etc em busca de votos.  É chocante assistir nas plenárias os diversos discursos de reverência dirigidos ao Cunha, um verdadeiro beija-mão. Esse endeusamento assustador por parte dos parlamentares encabrestados e as manobras facistas do presidente da Câmara  agridem ao povo brasileiro.

Temos um parlamento contrário ao Brasil, que demonstra ódio ao PT e, através da tentativa sedenta de aprovação da PEC 171,  demonstrou ignorar a situação dramática da população jovem  do país, divididas em parcelas específicas; as  mais pobres , as  que vivem em territórios de maior violência, as das zonas de prostituição, as que sofrem com trabalhos forçados, as que são humilhadas pelo preconceito raciais, as que não tiveram acesso à educação e cultura, dentre outros segmentos da juventude.   Os mesmos parlamentares que votaram pela continuidade do financiamento empresarial às campanhas agora disseram SIM à redução da maioridade penal. Perderam no dia 30/06 e  na madrugada do dia seguinte  foram convencidos  pelo presidente da Câmara a votarem uma matéria já vencida.

A esquerda, por sua vez, teve atuação impecável, com discursos profundos e convincentes, em defesa da juventude. Em menor número, nossos parlamentares tiveram o papel de aglutinar o máximo possível de votos para garantir a vitória do NÃO na votação de terça feira, 30/06.  Quero parabenizar a Juventude Brasileira, e também aos ex jovens, que ocuparam as ruas e as redes sociais para fazer a devida pressão política e convencer os parlamentares indecisos e à sociedade. E digo mais,  não precisamos ser jovem para entender que lutar pelos direitos da juventude é lutar por justiça social. Não podemos nos dividir, não podemos abandonar as ruas, pois, temos neste momento muitos poderosos contrários ao avanço democrático que ocorria no país, até então.
A conjuntura atual é muito delicada. O setor de comunicação do Brasil é retrógado e contrário às transformações esperadas pelos movimentos sociais. O Congresso está mega conservador e, nitidamente, vinculado aos interesses dos empresários que  financiaram as campanhas eleitorais. Temos, ainda,  um PSDB que não quer deixar ninguém descer do palanque eleitoral, pois não se conforma com a derrota sofrida nas urnas.

Portanto, se faz necessária que se mantenha a organização dos movimentos sociais populares, pois, teremos ainda muita luta pela frente. A PEC 171 não pode ser aprovada definitivamente e, dentro em breve,  será a vez da PEC 421 – do orçamento da Cultura,  chegar  a essa mesma Casa.
Não podemos recuar. Os meninos de meninas ativistas políticos brasileiros, que ocupam as ruas e praças, em todas as regiões do país, dão à sociedade um exemplo de cidadania e patriotismo que merece a atenção de todos. Essa juventude não luta em causa própria, sonham e lutam por um país mais igualitário.

E para concluir: que essa vitória do dia 30/06 sirva para motivar outros segmentos da juventude a engrossarem as fileiras dessa linda militância. Que "o golpe do dia seguinte"   não nos desanime. Que o chamado às ruas seja ouvido também pelos ex jovens e por toda a sociedade.  Que 2015 entre para a história como ano de resistência dos movimentos populares contra o processo golpista que instaurou no país.  Vamos às  ruas galera !


Fotos da ocupação da Cinelândia - no dia 30/06, no Rio  antes da votação do texto substitutivo


Por 5 votos a PEC 171 foi barrada na Câmara Federal