segunda-feira, 24 de outubro de 2016

O maior crime cometido por Eduardo Cunha



Eis uma pergunta muito atual, sobre a prisão de Cunha,  e que nos faz refletir bastante: qual o maior crime cometido por Eduardo Cunha? Até o momento, continua indefinida  a quantidade e a gravidade dos seus crimes. Ainda que as investigações avancem e sejam desvendados muitos crimes, a maioria versará sobre os milionários desvios financeiros, em conformidade com as acusações apresentadas. 

Não podemos esquecer que a crise brasileira se acentua exatamente depois da eleição de Eduardo Cunha à presidência da Câmara Federal e, imediatamente após sua posse, inicia-se a mais grave ação criminosa da história brasileira, cometida durante uma gestão da presidência da Câmara. Cunha usou o cargo de forma impetuosa e ardilosa para impedir que Dilma Housseff  pudesse exercer plenamente suas funções na  presidência  da República.   

Não se sabe ao certo se suas ações faziam parte de algum acordo com o Capital Mundial nem onde ficaria o QG dessa operação, dentro ou fora do Brasil.  O que já se sabia naquela ocasião é que Cunha carregava sobre os ombros o peso de muitas acusações e citações extraídas das delações premiadas da Operação Lava Jato.  O então recém empossado presidente da Câmara tinha ciência de que as investigações contra ele poderiam avançar e que , mais cedo ou mais tarde, seu mandato de deputado seria cassado.  Por essa razão, tentou o tempo todo negociar e encontrar um caminho ou um  tipo de barganha que pudesse minimizar  sua pena, ou , até mesmo, garantir a manutenção do seu mandato. 

No entanto,  Cunha  não conseguiu a colaboração dos parlamentares do PT, que não quiseram negociação  e votaram a favor da abertura do Conselho de Ética contra ele. Diante do impasse criado, usou o pretexto da vingança  para aceitar o processo de impeachment contra a presidente do Brasil. A partir daí foi deflagrada uma verdadeira guerra política dentro do Congresso Nacional. Cunha usou os poderes do cargo para bombardear e enfraquecer o governo Dilma.

Foi um longo período de trapalhadas e muita covardia, onde Cunha demonstrou todo seu potencial de maldade e obsessão, não contra a presidente Dilma, apenas. Toda a nação brasileira; empresas, economia, setor público, e principalmente,  a classe trabalhadora; sentiu os revezes da crise que abateu o nosso país, a partir desse lamentável episódio coordenado por Cunha. 

Cunha no comando dos parlamentares do bloco de oposição ao governo, eliminou os  planos de Dilma Rousseff para recuperar  a economia, fortalecer as contas públicas e voltar a gerar empregos no país.  Usou toda a munição disponível para fazer o governo sucumbir e obter quatro  rebaixamentos simultâneos  da nota de crédito soberana durante sua gestão na como presidente da Câmara. Conforme a crise brasileira se aprofundava, as chances de aprovação do impeachment aumentavam. E assim, ao final de todo processo, Dilma foi condenada mesmo sem provas contra ela.

Portanto maior e mais grave crime cometido por  Eduardo Cunha, reporta-se ao período em que esteve na  presidência da Câmara Federal e que usou o cargo, exclusivamente, para   desmontar o Projeto Nacional de Desenvolvimento e Inclusão Social iniciado em 2003.  Ainda não conhecemos os  detalhes dos acordos fechados nos bastidores  dessa terrível operação golpista, que resultou na destruição do único projeto político inclusivo, em mais de 40 anos.  Um projeto de país, que priorizou as classes menos favorecidas e mudou a vida de 37 milhões de pessoas.  Por esse crime Cunha não será julgado em nenhum Tribunal nem por nenhum juiz. A Justiça, literalmente cega, julgará somente os crimes financeiros.

Dilma, praticamente não conseguiu assumir a gestão  das política públicas em seu 2º mandato. Toda energia do seu gabinete foi gasta, desesperadamente, na defesa contra os ataques vindos da presidência da Câmara e da oposição. Dilma e o PT tentaram evitar a admissibilidade e depois o avanço do  processo de impeachment na Câmara e no Senado.  Enfim, a democracia suspirou.  Não se sabe bem sobre a existência de outras motivações de Eduardo Cunha, além da vingança, mas o fato é que ele conseguiu jogar por água abaixo os planos da pauta de desenvolvimento social do programa de governo  apresentado por Dilma e pela coligação durante as eleições 2014.

O “Brasil, Pátria Educadora”, slogan do 2º governo de Dilma, dialogava com grandes investimentos para a infraestrutura no país, geração de empregos... e destinava os royalties do petróleo para Educação e Saúde. Vale lembrar que em 2013, Dilma assinou a lei que destina a maior parte dos recursos dos royalties do pré-sal à educação, que  determina que 75% dos royalties do petróleo e 50% do chamado Fundo Social do pré-Sal sejam aplicados  no setor da educação. Ou seja, a educação brasileira passaria a receber parte dos seus  recursos direto da exploração petrolífera do país, paga ao Estado brasileiro pelas empresas que exploram esse recurso. Os outros 25% dos royalties seriam destinados à saúde. Um programa aprovado por 54 milhões de brasileiras e brasileiros. 



Hoje em dia é comum nas conversas populares que teria sido a lei do pré-sal  o principal motivo do golpe de Estado contra o país, consolidado no senado, em maior de 2016 . Há rumores de que setores do Capital Internacional não teriam aceito a destinação social dos royalties do petróleo brasileiro e passaram a colaborar para a queda de Dilma da presidência.

Os resultados acumulados por Lula e Dilma ao longo de 03 mandatos consecutivos podem ser consultados nas páginas oficiais do governo e também nos sites do IBGE e IPEA. Foram governos revolucionários.  Seus acertos são muito superiores aos erros. A imprensa brasileira evita qualquer comentário positivo sobre os governos petistas e, em momento nenhum,  criticou Eduardo Cunha por conta de sua atuação mafiosa como presidente da Câmara dos Deputados. Insiste o tempo todo na versão que aponta a vingança, como única causa do aceite de Cunha ao processo de impeachment contra a presidente Dilma. Vamos esperar.  Ao que parece, a história ao tempo dela, nos revelará outras versões. 

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